Abertura do evento reforça a integração entre ciência, indústria e políticas públicas na construção de soluções para os desafios energéticos do país.
A Energy Week começou nesta quarta-feira (3/12), em Campinas (SP), reunindo universidade, indústria e agências de fomento para discutir os múltiplos desafios do setor energético brasileiro — da produção de óleo e gás às novas rotas tecnológicas em hidrogênio, captura de carbono e bioenergia. Promovido pelo CEPETRO/Unicamp, o evento abriu sua primeira edição destacando a importância da pesquisa colaborativa para enfrentar uma agenda cada vez mais complexa e interdependente.
Ecossistema energético – O diretor do CEPETRO, Marcelo Souza de Castro, abriu a cerimônia destacando que a Energy Week nasce para dar visibilidade ao amplo ecossistema de pesquisa em energia da universidade, hoje distribuído em diferentes laboratórios e centros interdisciplinares – a imensa maioria apoiados pelo CEPETRO.
Em sua fala, ele apresentou números que ajudam a dimensionar esse ambiente: cerca de 30% de toda a pesquisa realizada na Unicamp é financiada por empresas, e cerca de 25% desse montante vem do setor de energia, o que representa aproximadamente R$ 200 milhões por ano — resultado de parcerias com Petrobras, Shell, Equinor, TotalEnergies e outras empresas. Mais de mil pessoas hoje trabalham em projetos ligados ao tema na universidade.
“A Energy Week vem para aproximar quem pesquisa, quem financia e quem precisa de soluções para desafios reais do setor”, afirmou Marcelo, reforçando que o evento mostra “um pouco de tudo o que estamos fazendo e discutindo sobre o futuro da energia no Brasil e no mundo”
Transição complexa – O reitor da Unicamp, Paulo César Montagner, lembrou que o debate sobre energia costuma ser simplificado, quando na verdade envolve uma transformação profunda na economia e na infraestrutura do país. “A transição energética não é uma troca simples de matriz, mas uma mudança estrutural que exige ciência, planejamento e cooperação institucional”, afirmou.
Montagner destacou ainda que a programação da Energy Week — com painéis sobre óleo e gás em novos contextos, hidrogênio, captura de carbono, biocombustíveis, eletrificação, digitalização e formação de talentos — reflete a multidimensionalidade do desafio.
“Este evento reafirma a convicção de que a universidade pública precisa atuar de forma ativa na construção das soluções para o futuro energético do país”, completou.
Inovação conjunta – A pró-reitora de Pesquisa, Ana Fratini Fileti, defendeu a integração entre universidade, setor produtivo e agências de fomento como condição essencial para que o Brasil avance tecnologicamente. “Só vejo oportunidades quando juntamos universidade, empresas e governo. É assim que tecnologia vira inovação e chega ao mercado”, afirmou.
Ela ressaltou o papel do ecossistema de inovação da Unicamp, que inclui a Agência de Inovação Inova, o Parque Tecnológico e o recém-criado HIDS, hub dedicado ao desenvolvimento sustentável, que abrigará novos centros de pesquisa e servirá como ambiente de testes em áreas como energia e mobilidade elétrica. “A Unicamp está preparada para responder aos desafios do nosso tempo”, disse a pró-reitora.
Força interdisciplinar – Representando a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN), Raluca Savu ressaltou que o CEPETRO — criado em 1997 em parceria com a Petrobras — consolidou-se como referência nacional e internacional em pesquisa e formação no setor energético.
Para ela, a Energy Week traduz a atuação interdisciplinar que guia os centros e núcleos da universidade. “Reunir engenheiros, cientistas, gestores e representantes da indústria para debater o futuro da energia expressa a vocação da Unicamp e a importância dos centros interdisciplinares na produção de conhecimento com impacto real”, afirmou
Novo programa – Representando a FAPESP, Mário Murakami, gestor do Comitê Científico
de Transição Energética da agência, apresentou o novo Programa Estratégico de Integração Energética, que substituirá e ampliará o antigo BioEN. Ele explicou que o programa nasce para lidar com a transição energética de forma mais abrangente, indo além da bioenergia e incorporando temas como hidrogênio e rotas de baixo carbono, captura e remoção de CO₂, bioenergia avançada, análises tecnoeconômicas e
sustentabilidade, além de políticas públicas voltadas à área de energia.
Segundo Murakami, o primeiro edital do programa deve ser lançado ainda este ano e terá como foco principal a formação de redes de pesquisa, permitindo que diferentes grupos já apoiados pela FAPESP se conectem para enfrentar desafios que exigem competências diversas. Ele ressaltou também que o programa dará destaque à participação de jovens pesquisadores e ao fortalecimento da internacionalização em áreas consideradas estratégicas.
Murakami destacou ainda as vantagens competitivas do Brasil na transição energética: grande disponibilidade de biomassa, matriz elétrica majoritariamente renovável, potencial para produção de hidrogênio de baixo carbono e vastas áreas de pastagens degradadas que podem contribuir para a captura de CO₂. Essas singularidades, segundo ele, colocam o país em posição privilegiada para desenvolver tecnologias que não apenas reduzam emissões, mas removam carbono da atmosfera, conciliando ciência básica, inovação e aplicação industrial.
Energy Week segue até sexta-feira
A Energy Week continua até 5 de dezembro com discussões sobre transição energética, petróleo e gás, hidrogênio verde, eletrificação, digitalização, biocombustíveis, financiamento, armazenamento e formação de talentos. A programação completa está
disponível no site do CEPETRO.
