A EPIC Conference, organizada pelo Centro de Inovação em Produção de Energia da Unicamp, recebeu no dia 11 de novembro o renomado geólogo Prof. Robert H. Goldstein, da Universidade de Kansas, que trouxe uma visão disruptiva sobre a análise da história termal em bacias sedimentares. Em sua palestra intitulada “What IS the Thermal History of Your Sedimentary Basin? A New Data-Driven Approach”, Goldstein destacou como avanços tecnológicos e métodos inovadores estão redefinindo o entendimento das condições históricas de temperatura das formações geológicas – fatores essenciais para a exploração de petróleo e gás.
Goldstein abordou o desafio de modelar a maturidade térmica de rochas fonte, elemento crucial para a exploração de petróleo e gás. Sua abordagem vai além dos modelos tradicionais, que frequentemente se baseiam em suposições e estimativas indiretas. “Nós desenvolvemos uma técnica capaz de coletar dados mais precisos, usando cristais de minerais diagenéticos que preservam um registro detalhado de temperatura e tempo ao longo de milhões de anos”, afirmou o professor.
Esse histórico é crucial na exploração de petróleo e gás porque ajuda a identificar o momento e as condições em que o petróleo se formou, migrou e foi aprisionado em reservatórios, o que é fundamental para prever onde ainda podem existir reservas de hidrocarbonetos não exploradas. Os métodos tradicionais, que dependem de suposições e estimativas amplas sobre a história térmica, frequentemente falham em capturar a complexidade das mudanças geológicas ao longo do tempo.
A apresentação detalhou os três passos do método: caracterização microscópica dos minerais que cristalizaram nos poros, estudo de inclusões fluidas e datação por Ablação a Laser Combinada com a Espectrometria de Massa com Plasma Indutivamente Acoplado (LA-ICP-MS). Esse processo permite obter dados granulares sobre a variação térmica ao longo do tempo, revelando eventos ocultos de aquecimento hidrotermal e enterramento que tradicionalmente passam despercebidos. Em bacias já exploradas, como a Anadarko Basin, nos Estados Unidos, a técnica de Goldstein revelou zonas com elevado potencial de hidrocarbonetos em áreas previamente consideradas não prospectivas.
O professor usou o exemplo da Anadarko Basin, que possui uma produção acumulada de aproximadamente 5 bilhões de barris de petróleo, mas pode conter, segundo estimativas otimistas, até 50 bilhões de barris não detectados. Esses valores refletem o potencial ainda inexplorado devido às limitações dos modelos tradicionais, que não capturam a migração de fluidos quentes em regiões específicas. “A abordagem tradicional é insuficiente para capturar as complexidades térmicas desses ambientes, mas com a nova técnica, identificamos locais onde ainda pode haver reservas de petróleo desconhecidas,” explicou Goldstein.
“Essa abordagem orientada por dados desafia o que acreditávamos saber sobre a história geotérmica dessas bacias, mostrando que há muito mais petróleo a ser descoberto em áreas que escaparam aos métodos convencionais,” concluiu Goldstein. Sua palestra reforça a importância de técnicas inovadoras para melhorar a precisão e reduzir riscos na exploração, oferecendo novas perspectivas de expansão para o setor de energia.